Suposto terrorista é abatido em Cabo Delgado após recusar seguir grupo armado
Pemba, Moçambique – Um suposto terrorista foi abatido a tiro na noite de quinta-feira, na vila sede distrital de Macomia, província moçambicana de Cabo Delgado. A informação foi confirmada esta sexta-feira por uma fonte oficial à agência Lusa.
Segundo a mesma fonte, o homem foi morto dentro da sua residência, localizada no bairro Napuluboxon, por volta das 23h00 locais. O crime terá sido cometido por indivíduos armados que alegadamente pertencem a grupos extremistas ativos na região.
De acordo com o relato, os suspeitos pretendiam obrigar a vítima a acompanhá-los para uma incursão nas matas. Após recusar seguir o grupo, o homem foi baleado mortalmente na zona do tórax.
“O grupo exigia que ele seguisse para a mata para cumprir determinadas obrigações. Como resistiu, acabaram por matá-lo”, explicou a fonte.
Estado Islâmico volta a atacar em Cabo Delgado: 26 mortos e mais de 13 mil deslocados
População de Macomia vive clima de medo
O incidente gerou pânico entre os moradores do bairro Napuluboxon, em Macomia. A população pediu intervenção urgente das Forças de Defesa e Segurança (FDS), devido à suspeita de que os autores do crime pertençam aos grupos terroristas que atuam em Cabo Delgado.
Apesar da rápida mobilização das autoridades, os atacantes já tinham abandonado o local antes da chegada dos militares.
“As Forças de Defesa e Segurança chegaram depois, mas os malfeitores já tinham fugido”, acrescentou a fonte.
Violência terrorista continua em Cabo Delgado
A província de Cabo Delgado enfrenta ataques extremistas desde outubro de 2017, quando ocorreu o primeiro ataque armado no distrito de Mocímboa da Praia. A região, rica em recursos naturais e gás natural, continua a ser palco de ações violentas atribuídas ao grupo Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Segundo dados recentes da organização ACLED (Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos), foram registados 10 eventos violentos nas últimas duas semanas em Cabo Delgado. Desses ataques, nove foram atribuídos a extremistas ligados ao Estado Islâmico.
Os confrontos provocaram 26 mortos, elevando para 6.570 o número total de vítimas mortais desde o início da insurgência armada em 2017.
ACLED alerta para expansão dos ataques
O relatório mais recente da ACLED indica que combatentes do Estado Islâmico Moçambique deslocaram-se para sul, atravessando os distritos de Ancuabe e Chiúre. Apesar da presença de tropas moçambicanas e ruandesas em Ancuabe, os insurgentes enfrentaram apenas resistência de moradores locais e milícias naparamas, que não possuem armas de fogo.
Além disso, o grupo extremista continua ativo em Macomia e no sul de Mocímboa da Praia. A organização refere ainda que pescadores e comerciantes enfrentam ameaças constantes tanto dos insurgentes como de elementos ligados à marinha, acusados de extorquir operadores civis.
Mais de 13 mil deslocados em Ancuabe
A violência provocou uma nova vaga de deslocamentos em Cabo Delgado. Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) apontam que mais de 13 mil pessoas abandonaram as suas casas no distrito de Ancuabe até 12 de maio.
A ACLED acredita que este número tenha aumentado significativamente nos últimos dias, devido à intensificação dos ataques em aldeias da região.
Em Messanja, no distrito de Chiúre, insurgentes incendiaram casas e uma igreja no dia 17 de maio, entrando em confronto com milícias naparamas. O Estado Islâmico reivindicou a morte de 26 combatentes locais, embora fontes comunitárias relatem números diferentes.






